
Há quase seis anos atrás, numa viagem a Florianópolis, decidi comprar um tear de mesa. Na hora da compra, achei que valia muito mais a pena comprar o tear do que um cachecol feito nele que custava mais ou menos a mesma coisa. Não sei mais quanto paguei, mas deve ter sido algo em torno de R$100,00 em valores atuais. Voltei pra casa feliz da vida.

Montei o tear, envernizei as partes de madeira para dar mais proteção e tentei fazer uma amostrinha, para ter uma idéia do negócio. Frustração! Achei demorado, chato, desconfortável - um horror. Guardei o tal tear e não pensei no assunto por um bom tempo.

O problema é que ele ocupa um espaço considerável e começou a me atrapalhar. Depois de algumas idas e vindas entre a minha casa e o meu trabalho (na época eu tinha uma livraria e cheguei a usá-lo como peça de decoração), decidi que já tinha guardado o tear por muito tempo e que era hora de vendê-lo. Comentei com algumas pessoas, cheguei até a botar preço no bichinho.

Uma amiga da minha mãe garantiu que ficaria com ele, mas nunca aparecia para buscar. Até que um belo dia, minha tia L. decidiu dar uma olhada, para ver como era. Crocheteira de mão cheia, ela viu no tear uma possibilidade legal. E foi só nesse dia, mais de cinco anos depois de ter comprado o cidadão é que eu fui reler o manual.

Como você já deve ter adivinhado, eu estava fazendo tudo errado. Por isso demorava séculos, era cansativo e sem graça. Porque eu não estava fazendo como deveria ser.

Minha tia ficou sem o tear, a amiga da minha que queria comprar também. Ele agora tem lugar de honra aqui em casa, depois que mostrou tudo que é capaz.

E a moral da história? Ler os manuais, é claro. Ser mais tolerante, menos arrogante, mais paciencioso, menos imediatista... Sei lá, as lições são muitas, depende do estado de espírito de cada um de nós.:)
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