Artesanato: inspiração e cópia
Na semana passada, falei aqui sobre o quanto o artesanato pode ser criativo e original e, ao mesmo tempo, quanto pode ser apenas uma simples reprodução, sem estilo e nem personalidade. Todo o debate sobre o assunto me levou a pensar em outro ponto extremamente importante para crafters: perceber a fronteira que limita a inspiração da cópia.
Segundo o dicionário, inspiração é o “ato ou efeito de inspirar ou de ser inspirado. Coisa inspirada. Idéia repentina e espontânea”. É quando a gente vê algo tão bacana que sente vontade de criar também. Criar, colocar seu gosto pessoal, um pouco da sua história e da sua bagagem cultural. É quando se olha um bordado maravilhoso e fica pensando em que peça poderia bordar, usando cores parecidas ou um tipo de desenho novo.
Já a cópia é a “reprodução textual do que está escrito algures; transcrito, traslado. Imitação ou reprodução de uma obra original. Reprodução fotográfica; retrato. Grande quantidade; abundância”. Quando alguém abre uma revista ou acessa um blog e decide que quer fazer exatamente aquilo que está vendo ali, sem mudar nada, sem nem cogitar em ser original. É quando alguém vê um bordado maravilhoso e decide que tem que fazer igual. Reproduz o mesmo desenho, usa as mesmas cores de linha e até o mesmo tecido.
Então temos a inspiração, que é algo saudável, importante e fundamental para que o nosso trabalho evolua, cresça e se modifique com o passar do tempo. E a cópia, que não leva a lugar nenhum, que só serve para provar que a preguiça, infelizmente, ainda impulsiona muitos artesãos. Criar algo novo requer tempo, dedicação e interesse. Reproduzir é mais rápido, menos arriscado e mais fácil. Só que também é muito injusto, porque rouba a originalidade e se apropria do trabalho alheio.
É fundamental que a gente nunca esqueça que o trabalho feito a mão não se limita à atividade em si. Ele também inclui o planejamento, a elaboração, as tentativas, os acertos e os erros de projeto. Quando alguém copia, está se apoderando da parte mais pessoal e Ãntima, que é a criação em si. Prova disso é que existem marcas de produtos feitos a mão que contratam costureiras, por exemplo, para a execução do trabalho. Mas a elaboração das peças-piloto continua sempre sendo realizada pela pessoa que idealizou a marca e o conceito. Porque ela é a criadora e as costureiras só se limitam a executar, sem colocar nada de seu.
Aprender novas técnicas, ampliar horizontes, ler muito, ver muitas fotos, procurar por publicações antigas, encontrar sempre novos artesãos e novos trabalhos – tudo isso é inspiração. Porque serve de ajuda para o cérebro, naquela hora que a gente senta, baixa a cabeça e pensa: “o que vou fazer de novo?”. Claro que nem sempre a primeira idéia funciona e é preciso muito trabalho para que um produto faça sucesso.
É em todo este trabalho e na dedicação constante que todo crafter deve investir. E se preparar para ousar, mudar, aprender, inventar, pensar. Criar. Para não correr o risco de ter seu trabalho confundido com o de pessoas que precisam fazer de qualquer jeito e o mais barato possÃvel, apenas para sobreviver. E para não fazer o triste papel de saber que, no fundo, não passa de um simples copista, enquanto o artista está sufocado ali dentro, à espera de espaço e de uma chance para se mostrar.
Para saber mais:
-Feito a mão: com criatividade e originalidade
Tags: artesanato, artesão, cópia, craft, crafter, inspiração, para pensar

16 de fevereiro de 2009 Ã s 3:35 pm
Assino em baixo!
16 de fevereiro de 2009 Ã s 5:37 pm
Daniele,
Tem selinho pra você no nosso blog!
http://lollipopfantasy.blogspot.com/2009/02/selinho-da-amizadee-oba.html
Beijocas
Paulinha
16 de fevereiro de 2009 Ã s 7:40 pm
Dani achei ótimo entrar nesse assunto, infelizmente existem pessoas que não conseguem criar e quando copiam ainda se consideram artista daquilo que estão fazendo.
Já fui e tenho sido copiada literalmente com alguns dos meus trabalhos, isso já me deixou muito triste, mas consegui superar e acreditar que quem copia não vai passar daquilo e que eu deveria continuar fazendo o que tanto gosto e com alegria e boa disposição.
Mas vale sempre relembrar: “Quem Copia não Cria” Seja original!
Beijinhos
Ana
17 de fevereiro de 2009 Ã s 9:25 am
Também assino embaixo. Uma questão importante é a postura do artista/artesão em relação à s situações desagradáveis em que seu trabalho é copiado. A raiva e desânimo são inevitáveis num primeiro momento. Porém, precisamos modificar esses sentimentos assim como fez a Ana Melo em comentário acima. Afinal, a criatividade combina com alegria e espÃrito leve. O ressentimento e a lamentação acabam minando nossas energias para criar. Quem copia é que deveria estar seriamente preocupado e não quem cria, pois a criatividade bem trabalhada é uma fonte inesgotável.
Beijos,
Vanessa
17 de fevereiro de 2009 Ã s 9:41 am
Acho interessante a reflexão, afinal sempre nos faz ver aquilo que pensamos, de uma outra forma. Mas vejo aà um paradoxo: todos querem ser vistos e admirados, verem seus trabalhos pubicados nas revistas, seus paps em programas de TV, mas abominam a idéia de serem copiados. É lógico que somos afetados o tempo todo por aquilo que entra pelos nossos olhos e em algum momento vamos nos misturar as idéias de outros Artesãos/Artistas… Acho que pior que ser copiado é descer ao nÃvel do copiador e quando falo “copiador” me refiro aquele que rouba fotos dos seus trabalhos e se apropria delas. Jamais devemos dar espaço a esse copiador… que deve ser relegado, jogado no limbo do esquecimento e da indiferença
Eu acho que tudo é uma questão de escolha…
Desculpem se falei demais… ou se falei alguma besteira…
um abraço, um lindo dia e muita criatividade a todas!
Teresa
17 de fevereiro de 2009 Ã s 1:41 pm
eu nao entendo como tem pessoas que simplesmente copiam o trabalho dos outros. no artesanato, cada peça deve ser unica.
a internet e uma ferramenta valiosa para a pesquisa de novas tecnicas e para procurarmos novas ideias. mas nao para copia descarada de trabalhos alheios.
triste as pessoas que nao sabem apreciar o trabalho de outras pessoas e deles saber criar novos trabalhos…
bjs, abraços e um dia muito criativo a todas!!
17 de fevereiro de 2009 Ã s 8:59 pm
Outro post ótimo; parabéns, Daniele!
Concordo completamente com você, e gostei da diferença mostrada entre inspiração e cópia. Infelizmente, o único modo de não ser copiado é não expor o trabalho; caiu na Internet é copiado.
Como disse a Teresa, todos querem ver seu trabalho divulgado, mas não gostam quando são copiados. Acho que quem cria não deve se preocupar muito com isso, pois se pôde criar um, pode criar mais dez; enquanto quem apenas copia acaba não criando nada.
Um grande abraço e muita criatividade a todas!
Cristine
18 de fevereiro de 2009 Ã s 9:39 am
Daniele,
Ótimo você dar continuidade ao assunto.
E uma ida ao dicionário sempre se revela esclarecedora, adoro fazer isso também.
Criar é sempre um processo.
Processo que se no final é sempre gratificante não quer dizer que é sempre tranquilo.Quantas vezes é fonte de angústia vc querer materializar uma idéia da melhor foma, com o melhor material e penar e lutar por isso?
Pode vir de uma idéia que não sabemos no inÃcio como materializar e então vem o processo de busca e experimentação do material, das formas, do desenho, erros e acertos, frustrações, alegrias.
Seja como for é sempre pessoal o processo, o que no final nos faz ser quem somos.
A inspiração, pode sim, vir de vermos coisas tão belas que desejamos também fazer igual, ou no estilo, ou daquela combinação de cores, enfim n aspectos que despertam a nossa sensibilidade.
Inspirar também é trazer o ar para dentro, nos alimentar das coisas belas que vemos.
Uma colcha de patchwork com aplicações é algo tão lindo que dá vontade de fazer.
Mas ai vemos casinhas com chaminé, bonecos de gengibre….
Um momento…vamos pensar um pouco. Casas com chaminé no Brasil existem em poucas regiões, pq alguem no Nordeste digamos – e eu moro em Salvador – vai ficar apenas reproduzindo chaminés que são inexistentes em sua história de vida, na sua cultura?
Eu, ao menos, não recordo de entrar em uma cabana de toras, talvez lá em Campos do Jordão, talvez mas não foi marcante assim.
Mas já estive em casa de sopapo, de pau a pique, ou até de madeira, e essas sim me marcaram
Nossas casas costumam tem platibandas e pq não retratar isso? Pq não retratar a realidade vivida e ficar reproduzindo outras realidades?
Bonecos de gengibre…hallowen … Nós não temos essas tradições.
Pq não olhar ao redor e incluir a sua realidade, o seu toque pessoal?
O apenas copiar se torna infeliz em vários aspectos, inclusive vira uma coisa chocha, despersonalizada.
Vira uma coisa que tanto pode ter sido feita pela fulana, ou pela beltrana, aqui no Brasil ou na Espanha, na Rússia … tanto faz, como tanto fez.
Quanto ao copiar se apropriando da idéia alheia … é cruel ao se apropriar de um momento único de outra pessoa.
Roubos de fotos, idéias, e até mesmo textos de perfil de apresentação, como li
recentemente…bom ai é muito triste uma pessoa ser tão sem noção, que não sabe sequer se apresentar.
Quanto a isso…ética, gente. Nós fazemos o mundo com as nossas escolhas, então que tal escolher o caminho ético?
Toda pessoa tem algo único a expressar, toda pessoa pode aprender, pode pensar, é só estudar, e refletir sobre o seu fazer.
Talvez eu esteja chovendo no molhado rrsss mas não posso deixar de me expressar quanto a esse assunto.
um beijo para todas