Feito a mão: com criatividade e originalidade


Tem muita gente que detesta artesanato. Tem gente que adora. Tem gente que acha que tudo o que é feito a mão tem mais valor, tem quem prefira o que é industrializado. Gosto, claro, não se discute. Mas o que a gente precisa discutir, refletir e analisar é a criatividade e a originalidade que tudo o que é feito a mão deveria ter.

Infelizmente, muito do artesanato feito no Brasil hoje em dia não passa de reprodução pura e simples de moldes, modelos e idéias divulgados em revistas populares. Não que eu tenha alguma coisa contra as revistas populares ou os moldes que disponibilizam. O que me incomoda é alguém simplesmente reproduzir algo, sem colocar nada da sua personalidade ou do seu estilo.
O feito a mão que tem valor é justamente aquele que é pessoal, original, criativo. Para ser tudo isso, é preciso que o autor seja de fato autor, que faça algo mais do que simplesmente copiar o que vê. Até máquinas de xerox podem copiar – e uma cópia custa apenas alguns centavos. Mas um trabalho autoral, personalizado e autêntico costuma custar bem mais, porque envolve inteligência, sensibilidade, criação e estilo. Nenhum artesão ou crafter que queira fazer sucesso ou viver do trabalho manual pode se destacar se não tiver consciência disso.
Quase todas as cidades brasileiras têm uma associação de artesãos, com um espaço para venda dos produtos. Em todas as lojinhas deste tipo que eu já fui, saí decepcionada. Às vezes, encontrei verdadeiras preciosidades, como as mantas e tapetes de lã de ovelha que comprei em Cambará do Sul. Geralmente, tudo que vejo são panos de prato pintados (com desenhos imensos que inviabilizam a secagem da louça), peças de crochê que nem a minha avó usaria e cestos feitos com rolinhos de páginas de jornal. Tenho certeza de que você sabe do que eu estou falando, porque já viu centenas dessas peças – todas quase iguais, todas sem personalidade, todas reproduções.
Pintura em tecido pode ser algo maravilhoso. Panos de prato também podem ser divertidos e passar uma mensagem. Então por que a maioria dos artesãos brasileiros não consegue fugir da mesmice? Crochê é uma das artes mais lindas que se pode fazer com uma agulha. Mas ele se destaca muito mais quando não está associado a barras de panos, blusas antiquadas ou bolsinhas para carregar garrafa de água. Cestaria de jornal pode ser um bom jeito de transformar o lixo em luxo. Mas é preciso design, cor e um pouco de ousadia. Simplesmente fazer porta-panelas e envernizar não basta.
Dizendo tudo isso, eu não quero desmerecer e nem diminuir o trabalho de ninguém. Ao contrário. Quero que a gente pare para entender o que impede o artesão brasileiro de criar de verdade. Criatividade, originalidade, jogo de cintura e iniciativa os nativos aqui do Brasil têm de sobra. O que falta para que tudo isso se reflita no nosso artesanato? Não o artesanato de qualidade que é vendido em shoppings e lojas estilosas – este é perfeito. Quero ver beleza, personalidade e estilo também nas lojas de associações, nas feirinhas de rua, nas sacoleiras.
Quero ter orgulho de ver o que é feito a mão no Brasil. Em todos os lugares, inclusive na internet, nas feiras e pelas cidades do interior.

Este texto não tem nenhuma ilustração porque você não precisa de nenhuma imagem para saber exatamente do que eu estou falando…

Bookmark and Share

Related Posts with Thumbnails

Tags: , , , , ,


30 comentários para “Feito a mão: com criatividade e originalidade”

  1. taci disse:

    concordo em numero, genero e grau.
    oq me entristece mto eh ver mtas artesas fazendo mais do mesmo simplesmente pq seu trabalho dito e feito nao eh valorizado, ja ouvi mto disso por ai sabe, isso me deixa bem triste.

  2. dani dias disse:

    Nossa, nunca pensei que tivesse gente que odeia artesanato…

  3. Teresa Agrello disse:

    Entendo perfeitamente o que quer dizer… só não podemos esquecer que muitos destes artesãos, que produzem essas peças, muitas vezes medíocres, no real sentido da palavra (e não pejorativamente) já sentem o orgulho que você está buscando.
    Sou fã do Banana Craft. Sucesso para vocês!

  4. fátima disse:

    concordo com você. realmente essas feirinhas de artesanato parecem sempre as mesmas – com honrosas exceções. encontra-se os mesmos produtos em são paulo, campos do jordão, campinas, e por aí vai…
    poucos são os artesãos inovadores e com trabalho de qualidade – o que é muito importante – que vendem seus trabalhos ao “grande público”.
    é uma pena, né?

  5. Silvia disse:

    Realmente, a situação é critica…
    Cada vez que paro em um ponto de ônibus, alguém oferece um tipo de “artesanato” industrializado. Esses panos de prato, são muito mais uma fonte de renda fácil que realmente um artesanato pelo amor. São cópias descaradas, os modelos são sempre os mesmos, e é sempre o simples com uma barra de crochê básica com pintura de frutas ou animais com dia da semana ou ainda, uma patchcolagem de tecido em forma de casinhas ou objetos de cozinha… cadê a inovação?
    Eu admiro meu vizinho da casa de Tupã, pois a cestaria de jornais que ele faz é INCRIVEL!
    10 reais muito bem pagos em um porta trecos com tampa em forma de coração, envernizado e com forro de camurcinha! E aquele cesto imeeenso em forma de bolha para roupas, ou o médio para flores feitas DE GARRAFA PET!
    Eu vou tirar fotos da genialidade dele e postar para vocês verem…

    Meu orgulho crafter vem da mamãe, com seus crochês e colchas de feltro… induzida a bordar na escola, ensino de tricô por uma tia, pintura pelo meu pai… eu simplesmente juntei essa mistura em uma pessoa só, hehe. Que falta faz essas pessoas na vida de todo mundo, e um pouco de ensino diferenciado nas escolas. A comum aula de artes de giz de cera, lápis de cor e guache, esquecem que trabalhos manuais/artesanais usam outros produtos, e não só cascas de ovos, caixinhas de fósforo e coisas assim…

    Mil beijos pra você do Banana, sucesso! Amo seu blog!!

  6. Priscila disse:

    Poxa, achei que fosse só eu que pensasse isso.
    Sempre me perguntei pq que nosso artesanato era tão sem graça, no sentido de falta de inovações mesmo, busca por melhoras, coisas modernas, pesquisa…
    Claaaro, que temos muuuuuita coisa boa, linda, onde vemos cuidado, pesquisa, vontade. É nesses originais e criativos que busco me inspirar ^^

  7. Mila Cerqueira disse:

    Posso aplaudir de pé?
    Exatamente, concordo em gêenero, número e grau.
    Mas se me permiti, o que me deixa triste, é que a maioria que simplesmente reproduz o que já há por aí, é alguém de talento excepicional, pois tem medo de arriscar!
    Não deveriamos ter tanto medo, de colocar pra fora nossos mais belos sentimentos através de nossa arte, se a cópia é possível, é por que há talento, então, vamos nos arriscar mais, criar mais, …
    Me emocionei ao ler este texto, e vou guardá-lo com todo carinho…
    Mais aplusos pra vocês,… precisamos mostrar nossa arte sem medo…
    Parabéns,… realemente nos faz refletir!

  8. Renata Herculano disse:

    Concordo plenamente e posso falar de carteirinha quanto as revistas. Eu sou uma artesã que para se divulgar, coloco minhas criações nas revistas. Mas muitas vezes quando encontro estas minhas criações sendo reproduzidas por aí, o que vejo, são coisas mau feitas ( se compartilho é porque quero que as pessoas como eu tenham prazer em fazer), peças sem toque pessoal, comercializadas como se fosse feitas em produção…Puxa, dá desgosto. O artesanato tem que ser feito com amor e isso é que é o diferencial. Uma peça nunca é igual a outra e artesão que é artesão de verdade consegue ver isso. No último final de semana coincidentemente, estive em Embu das Artes aqui próximo a S.Paulo e entrei numas destas lojinhas onde vários expositores vendem seus produtos e foi igualzinho como disse: Nada novo, peças sem personalidade…
    É uma pena….

  9. Lili disse:

    Sabe que vc falou o que venho repetindo há algum tempo mas já sem esperanças que alguém desse alguma importância.
    Eu sempre morei no RJ e há uns 6 anos abri minha pousada com o meu marido no interior de SP. Nossa pousada fica no meio da floresta e por isso acabei com o tempo livre aprendendo a fazer tudo o que sei hoje em dia. Aprendi sozinha, desenvolvi alguns projetos só meus e por isso, eu acho, sempre adorei sentar e tentar imaginar algo novo e depois quebrar a cabeça para colocar em prática.
    Há mais ou menos dois anos eu tive que passar a semana numa cidade próxima para que minha filha entrasse na escola. Cidade com menos de 6 mil habitantes, estilo colonial, onde o artesanato principal é o crochê e o patch.
    Me animei toda e queria logo compartilhar das minhas idéias e criar um círculo de amizade de artesãs.

    Eu fazia uma faixa de cabelo que tinha um fechamento que quebrei a cabeça pra desenvolver. Nada demais mais é uma criação minha. Comecei a vender esta faixa pra algumas pessoas e logo tive várias encomendas. Uma das moças que eu conhecia me pediu pra levar uma pra casa para que a filha vestisse com o vestido dela pra ver se combinava…resumindo…a vó da menina, a pessoa que toma conta da CASA DO ARTESÃO da cidade, copiou a minha faixa e começou a comercializar na própria casa do artesão.

    E essa não é a pior parte. Pra todo mundo que eu contava, estarrecida com a cara de pau da mulher, eu ouvia: Ah, mas aqui é assim mesmo. O povo copia tudo.

    Pra terminar esse desabafo: não vendo mais nada na cidade, só pela internet.

    E tudo que eu desenvolvo de projeto com terceiros tenho sempre que tomar o cuidado de pedir pra não reproduzir pra outras pessoas…

    triste, mas é real…

  10. Déia disse:

    Sei lá…fiquei pensativa e dividida. E se as horrorosas semaninhas e panelinhas de lata de refri forem a única, última e parca chance de botar comida na mesa? Talento é maravilhoso, criatividade e ousadia são o que diferencia um trabalho medíocre de algo que você realmente deseje ter por ser belo, mas não consigo não comprar a produção (mesmo que kitsch, mesmo que feia) de alguém que encontra nisso uma esperança neste país de sub-empregos. Por outro lado, alimentar este comércio desvaloriza o artesanato? Não sei…
    Bem, enquanto meu dilema moral lançado pelo bananacraft não se resolve, só posso mesmo me apoiar no Lenine quando ele diz :
    Não haverá então mais salvação?
    Porque não somos só intuição
    Nem só pé de chinelo, pé no chão
    Nós temos violência e perversão
    Mas temos o talento e a invenção
    Desejos de beleza em profusão
    E idéias na cabeça coração
    A singeleza e a sofisticação
    O choro, a bossa, o samba e o violão
    Mas se nós temos planos, e eles são
    O fim da fome e da difamação
    Por que não pô-los logo em ação?
    Tal seja agora a inauguração
    Da nova nossa civilização
    Tão singular igual ao nosso ao
    E sejam belos, livres, luminosos
    Os nosso sonhos de nação

  11. Walkiria Simões disse:

    Concordo com tudo o que vc disse, moro em São Caetano do Sul e qui tem sim, A casa do Artesão e quando vou lá, acontece a mesma coisa, faço feira de artesanato em um aprque aqui na cidade e também fico chocada com o que vejo.
    Sou filiada a Sutaco e lá sim as coisas são muito lindas visite o site deles.
    Trabalho com patchwork, faço colares maravilhosos e outras coisinhas mais.
    Mas, enquanto isso não muda, vamos continuar visitando esses lugares, eu nunca perco as esperança.
    Beijos, Deus te abençoe.
    Walkiria Simões

  12. Vanessa disse:

    Era isso que os artesãos e afins precisavam ler…
    Sempre me questionei sobre esse “falso artesanato”, feito sem amor, sem alma, sem valor… tudo à 1,99! É triste ver isso acontecendo por aí, pois nós que trabalhamos com todos os sentidos para criar uma peça exclusiva, acabamos pagando por esses que não dão a mínima pro conjunto criativo que se estabelece entre o criador e a criatura.
    Ótimo post, acolhido no coração.
    Que nos permitamos ser criativos no dia-a-dia e pratiquemos a sinceridade sempre, pra deixar fluir a nossa maravilhosa essência e latente criatividade.

    beijos

    Vanessa Braga

  13. Ana disse:

    Dani, é verdade, mas acho que houve um sinal de mudança nos últimos anos. E não é à toa que muitos artesãos acabam se auto-intitulando designers, sobretudo aqueles cujo trabalho é diferenciado em relação ao que se vê nas feiras “hippies” de fim-de-semana.
    A questão é que, hoje em dia, o que era hobbie de dona de casa virou profissão. E se não é encarado assim a situação se complica. Pra fazer artesanato, tem que ser profissional, tem que estudar, aprender, mudar… como em qualquer outra profissão.
    Tenho pena é de quem pega os atalhos e se aproveita da ferramenta excelente que é a internet pra copiar o trabalho alheio, prática corriqueira, infelizmente. Isso sim é irritante. Talvez ainda mais que cestinhas de jornal envernizado ou panos de prato com muita tinta…

  14. Daniele disse:

    Produção em série, cópias, falta de originalidade… Tudo isso é o que realmente me incomoda. Eu entendo que muita gente precisa sobreviver e faz artesanato de qualquer jeito. O que não entendo é que alguém use a necessidade financeira para justificar a falta de criatividade – porque ela não custa nada e, quando utilizada, pode render é um bom lucro.
    Mas a minha intenção é mesmo fazer a gente discutir o assunto e pensar, pensar, pensar. O questionamento é sempre um ponto de partida para a mudança!

  15. Heidi Vogel disse:

    Já disse tudo.
    Assino embaixo … Heidi

  16. Eliane Martins disse:

    concordo em algums pontos com vc, sempre ensino a minhas alunas que não devemos copiar a pintura, poi cada um tem sua forma de trabalhar e meu trabalho será sempre unico, usamos as revistas somente como inspiração. mas fica dificil as vezes comercializar estes trabalhos pois o povo não da o devido valor sempre encontrão um defeito que as vezes pra nos é o diferencial. Vc fala do tamanho das pinturas olha é dificil agradar a todos quando faz pequeno querem grande e vice-versa. Quem se contenta em fazer artezanato sem inovar e criar peças unicas visa somente o retorno financeiro que as vezes nem compensa. Eu tento passar a minhas amigas que temos que ser inovadoras em nossos trabalhos mas é uma luta dificil vejo muita menina que chega pra pintar querendo fazer literalmente o trabalho da revista e como não fica igual a coisa pega. A nos resta seguir com artesanato inovador e tentar ensinar a criar.

  17. Fabi Sehnem disse:

    Concordo com tudo e com todas.
    Artesanato tem que ser feito com amor. Nisso já está a grande diferença. Quando recebo algo feito à mão, principalmente se for especialmente para mim, é uma sensação única.
    Também me decepciono com as feiras. Aqui na minha cidade teve uma feira internacional de artesanato. Saí de lá triste. Claro que tem sempre algo que se salva. Mas a maioria é aquele “artesanato” feito em série.

  18. cidinha disse:

    bem,apesar de tudo que foi dito acima,eu vou deixar minha opinião que talvez tenha alguma igual,mas,o que eu penso é que,pode ser uma cópia de uma simples latinha decorada,mas,se alí for colocado amor,carinho pelo que esta sendo feito,certamente quem for adquirir ou admirar,verá que aquela latinha tão facil de encontrar,será diferente das outras,pois carregará alí o amor e a criatividade de quem fez,pois quem gosta de artesanato tem essa sensibilidade,pois ela propria faz dessa forma,com amor…bjs

  19. ana_didi disse:

    Refletir sobre o fazer.
    Acredito que aquilo que diferencia o artesanato de autor do artesanato feito em série é justamente a reflexão e o pensar .
    Vamos ver… o que torna por ex. uma cestaria em jornal algo tão desanimador de ver?
    Normalmente são envernizados para se assemelhar a madeira,ou bambu, não é assim muito do que se ve por ai?
    Acredito que com a intenção de valorizar a peça, passando uma impressão de que …não foi feito com jornal!
    A meu ver, é essa tentativa é que se torna desastrosa em termos estéticos.
    Pq esconder as caracteristicas do material? Pq não adotar outras soluções para as necessidades de acabamento e proteção da peça?
    Quanto a forma, a cestaria pode alcançar resultados belíssimos na sua simplicidade

    Ou no caso dos panos de prato…será que se a pessoa ao realizar a pintura se fizesse a pergunta: será que a finalidade da peça (enxugar) está sendo cumprida?

    Talvez uma simples pergunta mudasse o destino desses panos de prato com excesso de tinta rsss

    A Dani Dias comentou que não sabia que alguém pode detestar artesanato.
    Pode sim, e como! rsss
    A própria palavra artesanato adquiriu conotações negativas pelo excesso de coisa de mau gosto, mal acabada, de coisa vendida baratinha, feita por pessoas sem outras qualificações, feita para complementar renda, etc, etc
    Só muito recentemente é que o artesanato digamos assim, artesanato urbano – feito por pessoas com a cultura das cidades grandes, escolaridade, acesso a informação, e outros diferenciais passou a despontar e se tornou um boom.

    Artesanato é uma palavra balaio onde cabe de tudo. Desde peças originais, bem concebidas no uso da matéria-função, bem acabadas, com técnicas para o qual foi necessário estudo, e prática …até aquele paninho de prato que o menino vem te vender falando: compra pra me ajudar, foi minha mãe quem fez. E que vc encontra igual na loja de 1,99 e que veio da…China!

    Acredito que só a reflexão que posts como esse trazem é que podem mudar e trazer mais qualidade em todas as etapas da produção artesanal.

    bj para todas :)

  20. Vanessa B.M. disse:

    Excelente texto! Pensar sobre o artesanato é tão importante quanto o próprio fazer. A luta diária contra a mediocridade é difícil, mas essencial para uma vida com mais significado.

  21. Terracota Blog » Artigo do Banana Craft - Feito à mão: com criatividade e originalidade disse:

    [...] um artigo que me chamou a atenção, e no qual eu assino embaixo: diretamente do Banana Craft, uma análise [...]

  22. Cristine disse:

    Olá Daniele!

    Gostei muito do artigo, e o publiquei lá no Terracota Blog (com os devidos créditos e links), com mais alguns comentários meus sobre o assunto. Parabéns pelo texto sensato e claro, assino embaixo!

    Parabéns também às comentaristas, com vários pontos de vista sobre o assunto, a discussão e reflexão está muito boa. Quanto mais o artesanato original for valorizado, melhor para todos; para quem faz, e para quem compra.

    Um abraço,

    Cristine

  23. BananaCraft » Artesanato: inspiração e cópia disse:

    [...] Na semana passada, falei aqui sobre o quanto o artesanato pode ser criativo e original e, ao mesmo tempo, quanto pode ser apenas uma simples reprodução, sem estilo e nem personalidade. Todo o debate sobre o assunto me levou a pensar em outro ponto extremamente importante para crafters: perceber a fronteira que limita a inspiração da cópia. Segundo o dicionário, inspiração é o “ato ou efeito de inspirar ou de ser inspirado. Coisa inspirada. Idéia repentina e espontânea”. É quando a gente vê algo tão bacana que sente vontade de criar também. Criar, colocar seu gosto pessoal, um pouco da sua história e da sua bagagem cultural. É quando se olha um bordado maravilhoso e fica pensando em que peça poderia bordar, usando cores parecidas ou um tipo de desenho novo. Já a cópia é a “reprodução textual do que está escrito algures; transcrito, traslado. Imitação ou reprodução de uma obra original. Reprodução fotográfica; retrato. Grande quantidade; abundância”. Quando alguém abre uma revista ou acessa um blog e decide que quer fazer exatamente aquilo que está vendo ali, sem mudar nada, sem nem cogitar em ser original. É quando alguém vê um bordado maravilhoso e decide que tem que fazer igual. Reproduz o mesmo desenho, usa as mesmas cores de linha e até o mesmo tecido. Então temos a inspiração, que é algo saudável, importante e fundamental para que o nosso trabalho evolua, cresça e se modifique com o passar do tempo. E a cópia, que não leva a lugar nenhum, que só serve para provar que a preguiça, infelizmente, ainda impulsiona muitos artesãos. Criar algo novo requer tempo, dedicação e interesse. Reproduzir é mais rápido, menos arriscado e mais fácil. Só que também é muito injusto, porque rouba a originalidade e se apropria do trabalho alheio. É fundamental que a gente nunca esqueça que o trabalho feito a mão não se limita à atividade em si. Ele também inclui o planejamento, a elaboração, as tentativas, os acertos e os erros de projeto. Quando alguém copia, está se apoderando da parte mais pessoal e íntima, que é a criação em si. Prova disso é que existem marcas de produtos feitos a mão que contratam costureiras, por exemplo, para a execução do trabalho. Mas a elaboração das peças-piloto continua sempre sendo realizada pela pessoa que idealizou a marca e o conceito. Porque ela é a criadora e as costureiras só se limitam a executar, sem colocar nada de seu. Aprender novas técnicas, ampliar horizontes, ler muito, ver muitas fotos, procurar por publicações antigas, encontrar sempre novos artesãos e novos trabalhos – tudo isso é inspiração. Porque serve de ajuda para o cérebro, naquela hora que a gente senta, baixa a cabeça e pensa: “o que vou fazer de novo?”. Claro que nem sempre a primeira idéia funciona e é preciso muito trabalho para que um produto faça sucesso. É em todo este trabalho e na dedicação constante que todo crafter deve investir. E se preparar para ousar, mudar, aprender, inventar, pensar. Criar. Para não correr o risco de ter seu trabalho confundido com o de pessoas que precisam fazer de qualquer jeito e o mais barato possível, apenas para sobreviver. E para não fazer o triste papel de saber que, no fundo, não passa de um simples copista, enquanto o artista está sufocado ali dentro, à espera de espaço e de uma chance para se mostrar. Para saber mais: -Feito a mão: com criatividade e originalidade [...]

  24. Ana Melo disse:

    Achei ótimo falar nesse assunto.
    Comigo aconteceu de uma garota visitar sempre o meu blog, deixar comentários dizendo que adorava aquilo que eu fazia e chegou até a pedir algumas dicas de material etc e eu respondi com gentileza.
    Um dia por curiosidade resolvi visitar o blog dela e lá deparo com os meus quadros sendo copiados “iguaizinhos” sem tirar nem por.
    Quando escrevi a ela dizendo que estava chateada com tal atitude,
    ela responde dizendo que os achou no google e que nem sabia que eram meus.
    O pior , continua copiando e achando que não está fazendo nada de errado, pelo contrário , diz que são as clientes dela que pedem.
    Pode uma coisa assim???? Ai, ai tem que ter muitaaaa paciência!
    Beijinhos meninas e continuem criando e fazendo aquilo que gostam.

  25. elizabete disse:

    Que legal poder ler relatos como o seu, pois dá pena ver tanta coisa sendo copiada, e o pior sem talento nehum.Mas precisamos debater mais sobre este assunto.
    Aproveito para fazer um convite, estou montando o meu blog, visite e de sua opinião, estou apenas engatinhando, sei que falta muito ainda, mas vou terminar tenho muitas postagens a fazer.abraços.

  26. BananaCraft » Artesanato é o mesmo que craft? disse:

    [...] Por que eu falo como se o craft fosse melhor do que o artesanato? Na verdade, não é uma questão de pesos e medidas. Tem mais relação com gosto pessoal e valores que a gente atribui às coisas. Eu prefiro o craft porque acho que o termo define melhor uma nova tendência – que acontece no mundo todo e, aos poucos, vem sendo reconhecida no Brasil – de valorização do autoral, do inovador e do contemporâneo com história. E acho que este é um assunto que a gente precisa pensar de vez em quando, para ir redefinindo nossos conceitos e revendo sempre o modo como fazemos as coisas. Para saber mais: -Feito a mão: com criatividade e originalidade [...]

  27. Clotilde? disse:

    Menina, eu não tiraria e nem acrescentaria NADA do que você falou mesmo parendo “cópia”. Concordo plenamente que a mesmice em série chamada de artesanato é que desvaloriza aquilo que tem o valor artesanal a imparidade, o não “conseguir” fazer dois. Parabéns, você explicou o que imagino a maioria pensa, porém vamos voltar ao problema de sempre do nosso amado brasil brasileiro. A maioria das pessoas que vivem atualmente do artesanato e trabalham em cooperativas etc, vieram de lugares rudes, praticamente sem informação ou referências, daí uma abnegada pessoa resolve melhorar as condições de vida lhe ensinando “como se faz” e as vezes “têm que ser feito como a apostila ensina”, pois essa pessoa TAMBÉM não sabe que o diferente é quye faz a diferença.
    E daí que se a pessoa resolve “ousar” já é informada de que não vai vender , pois no conceito daqueles que as comandam “ninguém compra”. É pena porque como você mesma disse o brasileiro sabe criar, é artista por natureza, desde que ninguém vá lhe ensinar e o deixe trabalhar a vontade, é claro

    E obrigada por explicar a diferença do ARTESANATO e do CRAFT. eu desconhecia.
    Um beijo bordado em lantejoulas coloridas…

  28. Mariana disse:

    Vocês já pararam para pensar que talvez essas pessoas que fazem essas pessas repetitivas e em série não as façam por que tem vontade de expressar sua criatividade, e sim porque precisam colocar comida na mesa? Já pararam pra pensar que se essas pessoas estão realmente fazendo o melhor que podem? Não para se expressar, mas para sobreviver? Talvez elas não tenham “repertório cultural” suficiente para inovar, talvez não saibam o que é design, talvez sejam pessoas humildes e sem muita oportunidade na vida. Talvez seja a única maneira que encontraram para sobreviver.

    Quem somos nós para dizer que o que elas fazem não tem valor?

  29. Anália disse:

    Parabéns pelo blog e pelo alcance! Reunir tantas pessoas para expressar suas opinões sobre artesanato é merecedor de muitos elogios.
    Coloquei o link desse texto e mais um outro no meu site.
    Vamos incentivar a reflexão do tema!!

  30. BananaCraft ” Feito a mão: com criatividade e originalidade | Guia de Sites - Cabongue disse:

    [...] sempre morei no RJ e há uns 6 anos abri minha pousada com o meu marido no interior de SP. …http://www.bananacraft.com/blog/parapensar/2009/02 … Anúncios Relacionados:Oficina de Criatividade: Lembrancinhas para o dia das mãesMascaras de [...]

Deixe um comentário