Objetos especiais
Ao olhar para as prateleiras da minha estante, acabei detendo meus olhos em alguns objetos especiais, que tenho há anos e que, de uma maneira ou de outra, fazem parte da minha história. Como a coleção de livros da Agatha Christie, que eu releio de tempos em tempos (a vez mais recente foi agora, durante a gravidez), uma pequena pasta arquivo, de papelão, com meu nome na frente, e um pote de cerâmica que minha mãe já tinha quando eu nasci.
Se tem algo que realmente eu gosto de fazer, independente de clichês ou preconceitos, é ler histórias policiais. Me divirto, me distraio e fico feliz. E Agatha Christie só perde para Rex Stout como autor preferido de romances desse tipo. Então é gostoso olhar para o lado e ver meus livros queridos ali. Assim como gosto de ver o arquivo de papel, onde guardo uma pequena coleção de cédulas velhas. Ele é especial nem sei bem porquê. Gosto do visual meio antiquado. E mais o pote, que traz impressos os nomes de vários remédios. Tão anos 70, me faz lembrar a casa onde eu morei até os 5 anos de idade.
Em outro ponto da estante, minha máquina de costura de brinquedo. Que foi doada e voltou para mim no ano passado, como que por magia. É querida porque me lembra a infância, minhas bonecas, minhas invencionices craft, meu quarto… Lembro até da linha que eu usava nela para costurar… Junto com ela, livros da Mafalda, que adoro! Comecei a ler Quino também na infância, em uma coleção de livros sobre crianças que a minha mãe tinha. Para ilustrar os capítulos, tirinhas do argentino. Acabei de lembrar o nome da coleção: Nossas Crianças. Grandes livros de capa dura azul com letras douradas.
Na lateral, antigos livros de histórias infantis que foram da minha mãe. Gosto do visual e da idade que eles têm muito mais do que das histórias em si. Poucos objetos conseguem ser tão significativos quanto livros que já viveram muitos anos. O tempo se mostra nos amarelados das folhas, no desgaste da capa, na linguagem ultrapassada, nos amassados, nos rabiscos internos, no desbotado. Tal qual pessoas que já viveram muito, os livros sabem exibir nas suas faces o quanto já têm história.
Para mim, é justamente de objetos assim, especiais e queridos, que uma casa é feita. Muito mais do que móveis de designers consagrados, grandes cômodos ou decoração esmerada de capa de revista, são as pequenas coisas que mostram que tipo de gente vive ali e qual sua relação com o mundo. No meu caso, alguém com raízes profundas e um amor enorme pela leitura.
Para saber mais:
-Agatha Christie
-Rex Stout
-Mafalda
-Quino
-Máquina de costura Estrela
Tags: brinquedos, casa, decoração, história, livros, máquina de costura, memórias, objetos

17 de novembro de 2009 às 10:01 am
Fiquei emocionada e admirada ,com a sua filosofia de vida.Pensei que eu fosse a única pessoa que gosta de ler livros que ja foram lidos anteriormente e com as marcas do tempo, que demonstram o quanto foram manuseados.Acho fascinante saber que o mesmo passou por várias mãos e várias casas.tambem coleciono Ágatha Christie, só que compro no sebo. bjs
17 de novembro de 2009 às 12:25 pm
Fotos da estante? Adoraria ver…
Bjo
17 de novembro de 2009 às 4:45 pm
nostalgia!
17 de novembro de 2009 às 8:16 pm
Rosa, também gosto de comprar Agatha Christie em sebos
17 de novembro de 2009 às 8:18 pm
Déa, vou fazer as fotos… só não prometo quando
18 de novembro de 2009 às 12:03 pm
Gosto disso! Têm coisinhas que só a gente entende o porquê de serem especiais…