Entrevista: Mari Mello, do blog Brincando de Casinha


mariana mello - brincando de casinha

Você já parou para pensar o quanto fazer uma reforma em casa pode ser algo que envolva as suas habilidades de crafter? Uma obra gerenciada por você mesma é mais ou menos como uma customização gigante. A Mari Mello, autora do blog Brincando de Casinha, coordenou o makeover do apartamento que comprou em São Paulo e conta aqui um pouco da experiência.

-Nome: Mari Mello
-Profissão: Jornalista
-Blog: Brincando de Casinha
-Cidade onde mora: São Paulo – SP

-Qual a história da sua reforma? Por que você decidiu fazer?
Meu namorido e eu morávamos num apartamento de dois quartos num bairro maravilhoso, onde fazíamos tudo a pé. Inclusive trabalhar. Decidimos procurar um apartamento maior, já pensando no dia em que tivéssemos filhos, e combinamos que só compraríamos quando encontrássemos algo no mesmo bairro. Visitamos praticamente todos os prédios da região até que achamos o apartamento (quase) perfeito. Tamanho legal, preço possível mas… precisava de uma big reforma.

obra apartamento

-Foi a sua primeira reforma?
Quando eu tinha 14-15 anos, meus pais praticamente reconstruíram a casa onde morávamos. Mega-reforma. E foi meio reforma de igreja, sabe? Faziam uma parte, davam um tempo até juntarem mais dinheiro, depois continuavam. Acho que boa parte das reformas é assim… É claro que, na época, não me envolvi com os problemas administrativos da obra, mas acompanhei o estresse dos meus pais, as trocas de equipe, a poeira, os erros e acertos. Ter passado por isso me ajudou a ter noção do que estaria por vir na reforma do meu apartamento.

-Para começar pelas coisas ruins: qual a pior parte de uma reforma?
Acho que o mais difícil é lidar com a ansiedade. Queremos que tudo funcione exatamente como imaginamos, queremos que os prazos sejam cumpridos, que tudo fique perfeito. Aí o dinheiro começa a acabar, o pedreiro dá cano, um acabamento não ficou lá tão perfeito e cada coisinha pequena vira um problemão. Por isso é bom estar perto de pessoas mais calmas e que tenham a cabeça no lugar – nisso o Rodrigo, meu namorido, me ajudou muito. Ele é praticamente um monge!

-Sua reforma atrasou muito? Por quê?
Levou o dobro do tempo. E custou o dobro do que tínhamos previsto também. Foi um atraso considerável. Em parte porque houve dias em que os pedreiros simplesmente não foram – e isso sabemos que acontece – e em parte porque o apartamento estava muito mais detonado do que imaginávamos. Há problemas que só são detectados quando começa a quebradeira. E arrumar ou não deixa de ser uma escolha, mas uma necessidade. É aí que gastamos mais do que havíamos planejado, é aí que o prazo estoura.

obra - cozinha

-Você fez a reforma sem contratar um arquiteto. Com isso, pôde ficar com todos os méritos, mas também teve que aceitar todos problemas. Quais foram os maiores problemas? E os grandes méritos?
Canso de dizer no meu blog: é muito, muito, muito importante contratar um profissional. Infelizmente eu não pude, por questões de grana mesmo. E muita gente, assim como eu, também não pode e precisa reformar. Se eu tivesse tido ajuda de um arquiteto, por exemplo eu não teria comprado os pisos e revestimentos com tanta antecedência. E não teria colocado um piso tão claro na cozinha (é lindo, mas pouco prático). Errei também no posicionamento de algumas tomadas, principalmente porque o apartamento estava vazio, meus móveis estavam num guarda-móveis há meses e eu não sabia exatamente onde ficariam as coisas. E arquitetos tiram isso de letra. Sabem as medidas das coisas, são capazes de “pensar” o ambiente.Quanto aos méritos… não sei. Gostei de ter aberto um passa-prato entre a sala e a cozinha (minha cunhada arquiteta, a Tatiana Nakae, que mora em Araraquara, me ajudou por telefone!), gostei de não ter colocado azulejo em toda a cozinha e nos banheiros (isso também foi dica da Tati). Acho que foram acertos.

-Se fosse começar uma nova reforma hoje, o que faria diferente?
Eu calcularia um gasto X e só começaria a obra quando tivesse, no mínimo, o 2X. Para não dizer o triplo.

-É mais difícil administrar o orçamento ou ter que gerenciar o trabalho dos pedreiros?
Acho que lidar com os pedreiros é mais difícil. Principalmente porque há uma questão cultural. Além da parte técnica de você saber exatamente o que quer, é preciso ter jeito para falar com eles. Sem bater de frente, sem erguer a voz. Isso tudo naquele quadro de ansiedade que falei na pergunta acima. Alguns profissionais que passaram pela minha obra mostram-se extremamente machistas e isso dificultou o diálogo. Minha dica para quem não tem marido, namorado nem namorido: tenha um homem por perto. Pode ser um irmão, um primo, um tio. Ajuda muito. Na minha obra, os embates eram sempre jobs do Rodrigo ou do meu pai, que é engenheiro.

-Falando em pedreiros, como identificar sinais de que os profissionais não são tão profissionais assim?
Não sei. Lidei com apenas um pedreiro, que tinha sua equipe. Acho importante desconfiar do profissional que diz saber tudo e que tenta abraçar o mundo. O meu, por exemplo, nos convenceu de que tinha uma equipe de pintores e eletricistas. Pagamos a ele pela reforma e pela pintura. Ao final da obra, descobrimos que o “pintor” da “equipe” dele não sabia fazer o serviço. Resultado: tivemos de refazer toda a pintura, com outros profissionais, o que implicou comprar todo o material novamente e mais um atraso. Foi um prejuízo de aproximadamente R$ 2.500.

parede da cozinha

-Você fez um projeto para a reforma? Conseguiu ser fiel a ele?
Não fiz projeto. A coisa foi na raça mesmo.

-Você fez pesquisa de preço?
Sim, para tudo. E descobri que, pelo menos nas grandes lojas, os preços são mais ou menos equivalentes. Há uma diferença de centavos, e você sempre consegue negociar descontos. Aliás, ao dar preferência para a loja com o menor preço entrei pelo cano. Fiz uma primeira compra de R$ 1300 na Telhanorte e tive, de longe, o maior aborrecimento de toda a minha obra. Entregaram o material fora do prazo, caixas e mais caixas de porcelanato vieram quebradas. Para cancelar a compra e pegar meu dinheiro de volta foi uma novela que durou quase 2 meses. Nunca me senti tão desrespeitada como consumidora, como cidadã, como tudo. Toda essa história está no meu blog. A Telhanorte me perdeu para sempre, por toda a vida. Não gosto nem de passar na frente. Acabei comprando tudo na C&C que, embora não tivesse os mesmos preços, sempre me deu pelo menos 10% de desconto em todas as compras. Além do vendedor Claudio, que foi praticamente o anjo da guarda da minha obra.

-Como resistir às tentações das lojas e evitar produtos carésimos, que, no final, funcionam tanto quanto outros bem mais em conta?
Nem cogitei a possibilidade de comprar aquelas torneiras incríveis de R$ 800… Eu não podia comprar e ponto. Não houve muito dilema, não. Em loja de material é preciso, sim, manter a cabeça no lugar. Há produtos belíssimos, mas que não cabem no orçamento. O importante é priorizar, dentro do que você pode gastar, produtos de uma marca boa. Sempre existe um produto de boa qualidade por um preço possível. Basta não se deixar levar apenas pelo design.

cadeira - cozinha

-Qual a providência número 1 a ser tomada antes de iniciar a reforma?
Avisar seu chefe! Você terá de se ausentar muitas vezes para comprar materiais “urgentes”. Um clássico: seu pedreiro pede os materiais x, y e z, você sai correndo para comprar e quando chega com as coisas ele diz: “Mas não foi isso o que eu pedi”. É de enlouquecer. Acho fundamental só começar uma reforma se você tiver tempo para ela. Tirar férias pode ser uma boa. Acho muito importante visitar a obra todos os dias, de preferência em horários diferentes. Chegue de surpresa, sem que os pedreiros saibam. Já aconteceu de eu passar na obra às 15h30 e não encontrar ninguém. No dia seguinte, bronca em todo mundo.

-Com o final da reforma e todos os problemas acabados, fico me perguntando: você encararia uma nova reforma nos próximos dois anos?
Encararia, sim. Se fosse necessário, com certeza. Vale muito a pena! Basta pensar na impermanência das coisas. Ou naquele ditado de avó: “não há mal que sempre dure…”.

porta branca - parede berinjela

-Como foi a mudança para o apartamento reformado?
A alegria foi proporcional a todos os aborrecimentos. Houve uma sensação deliciosa de missão cumprida. Até hoje, aliás, me pego naquele apartamento e penso: “Meu Deus, isso aqui já foi um canteiro de obras”.

sala - orquídea

-Uma foto que resuma o final da reforma e que o seu é um apartamento feliz?
Essa foto (acima) sintetiza coisas que amo: minha parede berinjela, a orquídea que ganhei do Rodrigo, uma luminária que adoro e minha pilha de livros da Audrey e Chanel. Olho pra esse canto e penso: ” é a minha casinha!”. :)

Para saber mais:
-Brincando de Casinha

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5 comentários para “Entrevista: Mari Mello, do blog Brincando de Casinha”

  1. Joana disse:

    Bom que ela percebeu a falta que um arquiteto fez na obra… No final das contas, com certeza os gastos extras saíram bem mais caro que o valor do projeto! Se ela tivesse incluído o arquiteto no orçamento, o prazo não teria se alongado tanto e muito menos os gastos. O arquiteto entende como funciona uma casa, uma obra e uma equipe de pedreiros, além de dispor de tempo suficiente (e em contrato) para acompanhar a obra.

    Evite estresse, contrate um arquiteto!

  2. Ana Christina disse:

    Muito legal a entrevista! Valeu pelas dicas, assim como o Banana Craft, curto muito o Brincando de Casinha! Parabéns para as duas! :D

  3. Cecilia disse:

    Sou macaca-de-auditorio das lindas garotas, Daniele e Mary-Audrey Mello,aprendo e divirto-me muiiiiito, valeu meninas…

  4. leila disse:

    Por incrivel que pareça é assim mesmo.A gente quer que comece a reforma e depois é um Deus nos acuda!
    Mas,enfim,já passou e pela imagem que ela mandou,valeu a pena.
    Parabéns!

  5. fitas cetim disse:

    Passei recentemente por uma e ainda não estou com saudades!!!!Ufa!

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