
Recebi o texto abaixo por e-mail da minha querida amiga Lu Gastal, gaúcha como eu. Me emocionei com as lembranças dela - que são tão parecidas com as minhas, apesar das diferenças - que pedi permissão para publicar aqui, para que vocês também possam ler esta preciosidade!
Hoje senti uma baita nostalgia. Logo cedo, levei minha Laurinha no aeroporto, pra curtir feriadão com a "best friend". Voltava pelo Eixão, avenida gigante que cruza Brasília de ponta a ponta... e lembrava de mim, na mesma idade!
O programa eram férias em Sinimbú, interior de Santa Cruz do Sul, interior do Rio Grande do Sul. Casa dos meus avós, Norma e Rodolfo. Detalhe, pra chegar lá, from Cachoeira do Sul, onde eu morava, pegávamos um ônibus até Santa Cruz, e a "baldeação", outro ônibus até Sinimbú, com "estrada de chão". Ônibus naquele estilo "coelho, galinha e papagaio". Todos levavam de tudo um pouco. E pinga-pinga, é claro, parando de porteira em porteira pro pessoal subir e descer.
A programação era com minhas irmãs, ou mais freqüentemente com minha também "best friend", a Joice, que há poucos meses teve a pequena Sofia... Mas voltando ao passado. Lá íamos nós, sem dia pra voltar! Sorrisos largos e cheias de recomendações, entre elas "obedeçam seus avós".
Casa de vô e vó é uma farra! A regra era comer tudo o que o vô colocasse na mesa (até bife de fígado... argh...), e lavar a louça depois do almoço... O resto era permitido. Proibição: no verão, tomar banho de rio sozinhas (era só atravessar a rua e lá estávamos naquela tentação). Mas pensando bem... realmente era muito perigoso.
Minha vó Norma era a responsável pelos doces, que com um forte sotaque alemão são até hoje pronunciados "tóces"! Deliciosos, calóricos e inesquecíveis. Hoje, já velhinha, ela prefere as cucas da padaria!!!!
O inverno era muito rigoroso. Nas tardes geladas com sol intenso, nos aventurávamos entre os morros que cercam a cidade... Sempre no cuidado de estarmos em casa antes do anoitecer. Não esquecendo que no sul, no inverno, anoitece muito cedo.
À noite, todos nos juntávamos na pequena sala de tv, e tentávamos assistir um rograma inteiro, missão impossível, pois meu vô - que já se foi - mudava compulsivamente os canais com o controle remoto. Aliás, controle remoto de tv é um objeto que os homens adoram dominar!!!!
Outro programa legal era bisbilhotar o sótão da casa, não sei por que, mas chamávamos de "trepatsema", uma interpretação infantil de algum nome em alemão que desconheço. Aquele era um mundo à parte... o balcão de costura do meu vô, que era alfaiate, o manequim dele, a máquina de costura. Camas, armários abarrotados de revistas e traquitandas, todas hoje divididas e residentes na casa de cada uma de nós (eu herdei o balcão de costura do vô).
É isso... o tempo passou. Cresci (e como...), minha vó tá velhinha. Meu vô querido morreu, e, como já contei, minha querida amiga Joice deu à luz a uma menina que ainda não tive a alegria de conhecer.
A cidade continua lá... linda, simples e gostosa. O alemão ainda é mais falado e ouvido pelas ruas do que o português. O frio já chegou esse ano, e minha saudade é imensa!
E os banhos de rio? ah, eles também continuam! No natal lá estive e comprovei que continuam deliciosos!
P.S. Uma das irmãs da Lu traduziu trepatsema:
trepa = escada
tsema = quarto
Texto: Lu Gastal
Foto: Lilian Kaempf
Leia a entrevista com a Lu Gastal aqui no BananaCraft.
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